(24-09-2026 às 23:33:36)
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VALOR DE COMERCIANTE24/09/2026

A intensa demanda por ouro entre famílias e entidades na China se tornou fundamental para a determinação dos preços internacionais do metal. Analistas sugerem que há um reposicionamento de investimentos a longo prazo, com o Goldman Sachs acreditando que o banco central da China adquire mais ouro do que é oficialmente reportado.
Nos primeiros oito meses deste ano, a China registrou um gasto histórico de 158,8 bilhões de dólares (139 bilhões de euros) na importação de ouro, enquanto investidores e o banco central buscam diversificar seus ativos.
De acordo com informações do jornal Financial Times, o país importou mais de mil toneladas de ouro entre janeiro e agosto, já superando as 886 toneladas compradas ao longo de todo o ano de 2025, totalizando um valor de 96,5 bilhões de dólares (84,45 bilhões de euros).
Esse crescimento nas importações ocorre após a China ter diminuído suas aquisições no ano anterior, durante um período de forte valorização do ouro, que teve seu preço aumentado de cerca de 2.625 dólares (2.297 euros) por onça troy no início de 2025 até atingir 5.595 dólares (4.896 euros) em janeiro.
A China também se destaca como o principal produtor de ouro no mundo, extraindo 384 toneladas no ano passado, conforme o Conselho Mundial do Ouro.
O aumento nas importações se dá em um cenário de busca crescente por alternativas por parte de investidores chineses, que desejam diversificar suas economias devido à crise prolongada no setor imobiliário, ao desempenho fraco do mercado de ações e aos baixos rendimentos da dívida pública.
O índice CSI 300, que inclui algumas das maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, apresentou uma queda de 1,8% desde o início deste ano e permanece mais de 20% abaixo da máxima alcançada no começo de 2021.
Os rendimentos das obrigações soberanas chinesas estão próximos de mínimos históricos.
Os investimentos da China em títulos do Tesouro dos Estados Unidos diminuíram para 618 bilhões de dólares (540 bilhões de euros) em julho, o menor nível desde agosto de 2008.
"Tanto o banco central quanto os investidores privados estão diversificando suas reservas e economias em direção a ativos sem risco de contraparte, como parte de uma estratégia mais ampla de preservação de riqueza a longo prazo," afirmou Lisa Liu, diretora-geral da Gold Mountains Asset Management, que faz parte do grupo Zijin Mining, o maior produtor de ouro da China, conforme citado pelo FT.
Liu enfatizou que isso não se trata de "uma operação temporária", mas sim de um "reposicionamento de ativos de longo prazo por parte de famílias e instituições".
"A magnitude e a continuidade das aquisições chinesas agora são um aspecto crucial dos preços globais do ouro, e prevemos que essa situação perdure enquanto houver incertezas em relação ao crescimento e à geopolítica," acrescentou.
O ouro está se tornando cada vez mais relevante na diversificação dos portfólios de investidores ao redor do mundo, especialmente em um período em que a relação tradicional entre títulos e ações tem se modificado.
Christopher Hamilton, que lidera a gestora de ativos Invesco na região da Ásia-Pacífico, exceto o Japão, mencionou ao FT que o valor do ouro não respondeu ao aumento das taxas de juros reais como costumava ocorrer anteriormente.
"Estamos em um cenário no qual se busca possuir ativos reais", declarou, adicionando que as aquisições institucionais permanecem como o principal suporte para o valor do metal precioso.
Analistas do banco americano Goldman Sachs ainda estimam que as aquisições de ouro pelo Banco Popular da China (banco central) sejam maiores do que as informações oficialmente divulgadas.
Em uma nota divulgada neste mês, estimaram que o banco central da China comprou 35 toneladas em julho, em comparação com as 20 toneladas referidas pelos dados oficiais.
As compras feitas pela China estão inseridas em um contexto de demanda crescente por parte de nações para manter suas reservas de ouro mais próximas de seus respectivos proprietários.
No mês passado, o governo dos Países Baixos transferiu uma parte de suas reservas de ouro que estavam em Nova Iorque para Londres.
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