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A Honra e os seus Ícones

 

A imagem da "Master Misericordiae" a Virgem, a Mãe de Deus, abrigando, sob o manto protector da sua infinita caridade, a comunidade inteira de fiéis difunde-se por todo o mundo português desde os alvores do século XVI, a par da própria rede das Misericórdias que representa, com o valor exemplar de um ícone que resume e cristaliza todo um modelo ideológico e todo um sistema de organização social: o da Monarquia absoluta, de direito divino, assente numa colectividade rigidamente estratificada e fortemente ancorado na instituição eclesiástica e no seu aparelho normativo e disciplinar.

Bandeira da Misericórdia de Lisboa

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De facto, cingindo a fronte da coroa real, o arquétipo da Senhora do Manto, como é também chamada, define-se rapidamente, tão rapidamente quanto se esboçam os contornos da nova ordem politico-social, cujos valores consagra: intercessora e credenciada embaixatriz de uma Fé que se recorta, progressivamente, como um verdadeiro pilar institucional, a figura de Virgem, rainha dos Céus, é ela mesma pilar e eixo, em redor do qual se extrutura o mundo dos homens, organizado como uma legião- dos mais poderosos, individualizados, até à massa compacta e irreconhecível dos humildes.

O rolar dos anos e o aprofundar da crise conjuntural vivida pelos impérios português e castelhano, entretanto episodicamente unidos no âmbito da Monarquia Dual da Casa de Áustria, mais não fazem que aprofundar os traços com que, nos meados de Quinhentos, se desenhara o novo quadro ideológico. 

Amaro do Vale

Amaro do Vale, « Adoração da Corte Celestial por D. Filipe II de Portugal»

Pintada nos primeiros anos da centúria seguinte, a Adoração da Corte Celestial por D. Filipe II, de Amaro do Vale, constituirá exemplo superlativo desta complexa sistematização, onde toda uma cosmogonia se divisa, rigidamente hierarquizada numa sequência estanque de registos.

A Corte terrestre encontra, pois, a sua justificação dogmática na própria Corte celeste, também ela estritamente organizada numa pirâmide de santos e bem-aventurados, anjos e arcanjos, que integram uma imensa burocracia, minuciosamente especializada, por intermédio da qual os fiéis se esforçam por encaminhar as suas petições.

Pelo século XVII adiante, a sociedade peninsular consercará a rigidez que Amaro do Vale lhe vislumbrou, severamente estratificada em estados ou ordens, juridicamente diferenciados em função de um complexo sistema de privilégios e isenções, vestuário e formas de tratamento, que delimitam o estatuto de cada um.

Lopo Furtado de Mendonça

Domingos Vieira, retrato de Lopo Furtado de Mendonça

A piedade contra-reformista impõe, uma nota tanto mais sombria quanto mais elevado é o lugar que se ocupa no interior da pirâmide social. Recortando-se, porém, contra o negro omnipresente dos trajes, as cruzes das Ordens militares avultam com uma violência estridente, quase agressiva, onde se fundem a altivez da casta e a pureza da crença, unidas num modelo ideológico que se define, corporativamente, na figura social do cavaleiro professo.

A relativa fragilidade do poder central que, entre nós, caracterizou o ciclo da Restauração, mais aprofundaria, ainda os traços deste quadro que alcançará mesmo sobreviver ao advento do século XVIII, sob as novas rupagens fornecidas pelo impacto do ouro do Brasil e do processo geral de europeização do país.

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada

Insígnia de cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada nos finais do século XVII

De facto, fortalecida pelas novas condições económicas e por uma politica coerente de centralização, a Coroa substitui-se progressivamente à Igreja como pilar estruturador do organismo social, desenvolvendo os seus próprios mecanismos disciplinares, mas não deixa, de acordo com a própria ideologia que a enforma, de perseguir a via da disciplina, sublinhando a característica imobilidade do corpo social.

As pragmáticas sobre o luxo, que regulamentam o vestuário, sucedem-se em 1708,1742 e 1749 e mesmo os tratamentos homoríficos são rigorosamente determinados num alvará de 1739.

Por continuarem a vincar a rigidez da organização social servindo, deste modo, a orientação disciplinar perseguida pelo Estado barroco, se exceptuariam sempre das sucessivas pragmáticas sobre o luxo, ao longo dos séculos XVII e XVIII, os hábitos das Ordens Militares.

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo, segunda metade do século XVIII

Ícones de honra, onde a matriz fideísta se confundirá longamente com o orgulho da casta, as insígnias das Ordens militares detêm, pois, um insubstituível poder no contexto hieroglífico da sociedade barrosa, cujo rasto se prolongaria até aos nossos dias, como afinal tantos traços da sua cultura ritual.

Insígnia de cavaleiro da Ordem de Avis, finais do século XVIII

Instrumentos de prestígio, por parte dos seus possuidores no interior de uma sociedade eminentemente simbólica e representativa, onde toda a condição deve ser demonstrada pelos competentes signos e gestos que a identificam e delimitam são, contudo, de igual modo, instrumentos de dominio, ao serviço de um poder que, justamente ao automonizar-se da tutela eclesiástica, reconhecerá neles um poderoso meio de estreitamento dos vínculos de lealdade e dependência entre o Rei e os seus vassalos, imprescindível fator de coesão no interior de uma sociedade atravessada por frequentes marcas de conflitualidade.

Insígnia de cavaleiro da Ordem de Cristo, meados do século XVIII

Assim se explicam, simultaneamente, a grave crise de credibilidade que afecta, ao longo de todo o século XVIII, o conjunto das Ordens militares tradicionais, de Cristo, Avis e Santiago em flagrante contraste com a imagem de austera solenidade que a iconografia parece sugerir o debate jurídico-político que suscitam, o empenho desde cedo colocado pela Coroa na sua reforma por diversos modos executada e o investimento feito nas suas insígnias, gerador de um espólio impressionante, que as converte num capítulo autónomo e brilhantíssimo da joalharia portuguesa setencentista.

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada

Insignia de Cavaleiro da Ordem de Santiago da Espada 

Os hábitos das Ordens Militares eram universalmente apetecidos quer pela grande nobreza, como um direito inerente de casta, quer pela grande nobreza e pelo corpo, quer não somente da aristocracia mas também da média e mesmo da pequena burguesia.

Em Março de 1750, D. João V ordenava conceber o projecto de instituir uma nova ordem, denominada Ordem da Trindade, onde se incluiria um grande colar honorífico, cuja iconografia dominante é constituída pelo mistério católico da Santíssima Trindade.

Em clara afinidade com as insígnias da ordem francesa do Espírito Santo, cujos desenhos o monarca encomendara em 1732, o colar centra-se na sigla coroada do Rei Magnânimo, da qual pende a cruz sobrepujada do triângulo místico. 

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo, meados do século XVIII

Insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo, meados do século XVIII

Estes elementos, bem como a recorrência heráldica dos castelos e quinas, ciclicamente repetidos nos intervalos dos elos, de permeio com um orbe coroado, irradiante, sobrepujado de um livro em alegórica alusão a um Império universal onde os portugueses haviam disseminado a Fé de Cristo identificam claramente o pequeno esboço como um estudo para a realização das insígnias da Ordem joanina da Trindade.

Colar e Placa da Ordem Militar da Torre e Espada,1813

A modernidade da instituição face ao arcaísmo patenteado pelas Ordens tradicionais evidenciava-se de resto, pela criação de um grande colar, seguramente adstrito à dignidade de grande oficial, que se acrescentaria necessariamente às consagradas de cavaleiro e de comendador.

Placa do Comendador da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, 1825

Ao longo dos tempos, foram-se reformando progressivamenteas antigas Ordens honoríficas que, aliás, em tempo de ouro e de diamantes, se iam entretanto revelando como área priviligiada de aplicação do talento dos ourives nacionais.

Insígnia da Grã- Cruz da Real Ordem de Santa Isabel, inicios do século XIX

Alguns anos volvidos após a sua morte, uma provisão régia de D. José I, datada de 20 de Junho de 1765 e que mandou afixar, como edital, por todo o Império, procurava regulamentar as cores das fitas que deveriam associar-se às insígnias das diversas Ordens.

Alegoria à instituiçã da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

Mais tarde, D. Maria I veio retomar o projecto do seu avô, reformulando-o sob a invocação do Coração de Jesus, cuja devoção patrocinou e em louvor do qual faria erguer o primeiro templo dessa invocação em todo o espaço europeu.

Alegoria à instituição da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa

A Ordem de Avis passaria, a premiar o corpo militar, a de Santiago a magistratura e a de Cristo os altos postos políticos, militares e civis. Simultaneamente, era oficialmente declarada a paridade entre as três antigas Ordens, diferenciadas apenas pelo seu carácter particular e consagrada simbolicamente na sua reunião numa só insígnia, distintivo da soberana e dos seus sucessores, como grão-mestres de todas elas e a importância desta reforma ficaria assinalada na conhecida composição de José Troni que ordenamenta o retábulo da Capela do Paço da Bemposta.

Cruz peitoral do bispo do Porto, D. João de Magalhães e Avelar, inicios do século XIX

Enfim, a particular devoção da soberana ao Coração de Jesus e o falhado projecto de instituição de uma nova Ordem sob essa invocação, viriam a reflectir-se na colocação do respectivo símbolo sobreposto à cruz de cada uma das antigas Ordens nos graus de grã-cruz e comendador, com exclusão de cavaleiros.

É esta a origem da encomenda ao joalheiro da Casa Real Ambrósio Gottlieb Pollet, em 1789 e simultaneamente com o lançamento das bases da reforma, das famosas insígnias das Três Ordens Militares a placa de comendador e o distintivo de grã-cruz onde seriam empregues, com soberba mestria, os faustosos brilhantes da Coroa Portuguesa.

Insígnia de dignitário maçónico (frente e verso), inicios do século XIX

Do lote que, graças ter sido usado, desde então, por todos os monarcas, sobreviveria até aos nossos dias, fazia ainda parte aquela que será, seguramente, uma das mais espectaculares insígnias honoríficas jamais realizadas: o colossal Tosão de Ouro, destinado ao Príncipe do Brasil e futuro D. João VI, Regente do Reino desde 1792.

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