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Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

 

Para a realização de objetos em oficinas de ourivesaria, existem determinados instrumentos que são utilizados e estão diretamente relacionados com diversas técnicas, bem como foram continuamente usados ao longo da história da ourivesaria.

Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

Na Idade do Bronze já se destacava a utilização de martelos de bronze de várias formas, as matrizes "mâchas", do mesmo metal, as bigornas, de extremidades cónicas e planas, usadas para embutir, as tas e as fieiras, com orifícios semi-redondos, triangulares ou losangulares, em bronze ou em pedra

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaNo mundo grego-romano existem vestigios destes instrumentos  nomeadamente a bigorna, o martelo e as tenazes.

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ALICATES

Instrumentos de uso individual, presentes em qualquer banca de uma oficina, os alicates destinam-se a várias funções, apresentando configurações distintas nas extremidades. São normalmente de aço, podendo conter um revestimento de plástico nas hastes da pega, de modo a fazer suavizar a pressão que a mão exerce sobre o objecto aquando do seu emprego.

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Os alicates de corte, como o próprio nome indica, são utilizados para cortar fios até um milímetro e meio de espessura, capacidade superior à das tesouras. Apesar de poderem ter a mesma função, os dois instrumentos são inconfundíveis dado a forma bem distinta do corpo cortante.

Mais susceptíveis de confusão são os alicates e as tenazes, de diversos tipos, com formas e utilidades idênticas, nomeadamente de dobrar, voltear ou segurar. 

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Em casos específicos,os alicates têm um papel preponderante no fabrico das argolas, aros e ganchos de suspensão para brincos e pendentes, servindo, nestes casos, para fazer dobrar e voltear os fios de metal.

BALANÇA

Indispensável em qualquer unidade de produção, a balança é um dos primeiros utensílios usados no fabrico das peças, recorrendo-se a ela na pesagem dos diferentes metais que compõem a liga. A sua importância é acrescida na medida em que o peso do ouro é estabelecido por lei e o seu rigor equivalente à legalidade ou não da jóia é controlado nas contrastarias.

Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

Existem vários tipos de balanças numa oficina. As balanças de mão, semelhantes às observadas na estela de mármore do AVRIFEX BRATTIARIUS, do Museu do Vaticano, são ainda hoje utilizadas mas apenas em pesagens de menor calibre.

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As balanças de duplos pratos eram já conhecidas dos egípcios, observável nas pinturas do túmulo de Menkhepersasembe, XVIII dinastia 90.
A balança de meia precisão foi durante muito tempo a preferida dos ourives e muitos são aqueles que continuam a fazer uso dela. É formada por uma base de madeira ou fórmica e uma alavanca em forma de cruz, que sustenta os pratos de aço inoxidável e que guarda na parte superior a tabela de marcação. Tem uma sensibilidade de 10 mg e uma capacidade de 100 a 250 g.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaActualmente, os metais são pesados nas balanças electrónicas, preferidas pela sua maior precisão, sensibilidade e capacidade na pesagem dos metais.

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BIGORNA / TÁS

A bigorna consiste num objecto de ferro ou aço (hoje o mais frequente), composta superiormente por uma tás plana ao centro, de superfície lisa e duas salientes, uma de forma cónica, outra piramidal e inferiormente por uma extremidade aguçada destinada a fixar a peça a uma base de madeira ou cepo. Este, de aspecto por vezes tosco, apresenta uma estrutura cilíndrica ou quadrangular.

A forma da bigorna corresponde a uma estrutura fixada no tempo, como bem o demonstram as representações conhecidas da Idade do Bronze aos Tempos Modernos. Permitem, no entanto, conhecer diferentes tipos de bigornas, adaptadas a múltiplas funções: forjar, estampar, aplanar, entre outras.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaA tás distingue-se da bigorna pela ausência de hastes nas extremidades, reduzindo-se a uma superfície plana, de aço, de dimensões normalmente superiores às da bigorna. Os dois instrumentos, de uso colectivo, encontram-se invariavelmente em oficinas de ourives ou de ferreiros. Destinam-se a bater chapa, aperfeiçoar peças e a rebitar.

No fabrico das peças ocas e por se tratar de uma operação de simples percussão, emprega-se a tás em detrimento da bigorna, durante a estampagem das chapas.

BUCHELA (OU PINÇA)

De ferro ou aço, as buchelas ou pinças são ferramentas de uso individual, presentes na mesa de trabalho de qualquer elemento da oficina, servindo para colher, escolher, curvar e enrolar fios de filigrana, segurar pequenas peças ou montar outras. Existem vários tipos, variando em função das extremidades mais pontiagudas, largas ou mais largas.

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A diferença entre buchela e pinça reside na largura de uma e outra, maior no caso da primeira mais delgada e fina na segunda. Os ourives de Gondomar e Póvoa de Lanhoso empregam com mais frequência o termo buchela quando se querem referir a este objecto. As faces interiores das pinças são normalmente estriadas de modo a prender melhor a peça quando esta está a ser trabalhada estabelecendo, assim, a função específica destas pequenas peças. 


CADINHO

Objecto de fundição, de uso colectivo na oficina, o cadinho consiste num recipiente de barro refractário, preparado para aguentar temperaturas muito elevadas sem sofrer alterações. Podem ser de vários tipos e tamanhos, em forma de meia esfera quadrangular no exterior e interior de meia esfera ou cónica, situação mais frequente nas oficinas gondomarenses, onde são apelidados também de vasos de fundição.

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CILINDRO (OU LAMINADOR)

Trata-se de um aparelho composto, constituído por dois cilindros ou rolos sobrepostos, ajustados por um sistema de accionamento em paralelo que lhes dá a separação desejada. O sistema de funcionamento pode ser manual (ainda usado em algumas oficinas), sendo a peça movida por uma manivela instalada lateralmente, ou eléctrico, o mais utilizado actualmente pela rapidez de resposta que proporciona.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaA engrenagem faz movimentar os dois cilindros, entre os quais se faz passar a barra longa de metal. O processo é repetido várias vezes, proporcionando a alteração da largura, comprimento e grossura do mesmo. A esta operação dá-se vulgarmente o nome de estirar ou laminar.

Os laminadores podem ser de vários tipos e recebem diferentes denominações em função do perfil de rolos que comportam. O cilindro de chapa possui rolos lisos e serve, como o nome indica, para estirar chapa ao comprimento e largura.

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E o mais utilizado na produção de peças ôcas para a obtenção da chapa de metal. Os laminadores de fio apresentam sulcos de forma quadrada ou meia cana, com larguras variadas ordenadas em decrescente, e destinam-se a produzir fio. Podem ser designados como cilindro de fio quadrado e cilindro de meia cana, respectivamente.

No fabrico de jóias opadas, o fio é utilizado apenas nos sistemas de suspensão, nomeadamente nas argolas, "birolas", ganchos, "asas" ou alfinetes.
O cilindro de estirar representado na Enciclopédie {moulin à tirer), de forma quadrangular, com dois rolos cilíndricos a meio,  parece corresponder a um modelo primitivo destes engenhos, os quais terão sofrido uma evolução ao longo do século XIX.

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A oficina estudada possui um cilindro de.estirar (adquirido conjuntamente com os cunhos), de origem alemã e datando da década de sessenta do século XIX. O sistema de engrenagem é mais complexo, sendo os cilindros accionados por uma manivela lateral. Encontra-se fora de uso.

CUNHOS ("FERROS" OU MATRIZES)

Os cunhos são objectos de bronze, ferro ou aço, que apresentam superiormente e em médio-relevo, o modelo da peça pretendida. Leite de Vasconcelos referiu-se à produção de peças ocas, estampadas com cunhos de aço, ferro e bronze, provenientes de indústrias caseiras que se exerciam em Gondomar, Avintes, e outras terras vizinhas do Porto.

Esta frequência na utilização de cunhos de bronze no tempo deste Autor, não se conservou ao longo do século XX, dado que o ferro e sobretudo o aço, se sobrepuseram à sua utilização por razões económicas e técnicas.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaEstas matrizes apresentam-se no mesmo material (bronze), forma e função daquelas que se conhecem na Europa, desde a Idade do Bronze. Uma matriz em bronze de Larnaud (Jura), concebida para estampar sobre folhas de metal, apresenta na extremidade um motivo circular em relevo e corresponde plenamente às existentes na oficina.

Uma das particularidades da colecção em estudo reside no facto de ser constituída unicamente por cunhos de bronze, situação assaz rara e que por isso merecedora de uma atenção especial.
Tecnicamente, os cunhos usados para moldar chapa são batidos directamente com um martelo pelo anverso, processo rudimentar e primitivo, o qual difere do trabalho efectuado no balancé.

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O balancé tem como função cortar e/ou estampar uma peça, através do uso de moldes em aço que são presos no aparelho. Trata-se de um processo mecânico, pelo qual se faz repetir continuamente o mesmo movimento, obtendo-se desta forma um número superior de objectos num espaço de tempo inferior ao conseguido com o martelo. Neste sentido, o facto dos cunhos da colecção terem permitido conservar o conhecimento de uma técnica praticamente em desuso, contribui mais ainda, para a sua valorização.

ESCOVAS

Toda a oficina possui vários tipos de escovas constituídas por distintos materiais, consoante a função a que se destinam.
Existem as de uso individual, presentes na banca do artífice, utilizadas para limpar as peças, escovar a mesa, estilheira, mãos, recolher a limalha e todos os recortes dos objectos para uma das extremidades da gaveta de trabalho.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaSão compostas por duas partes, uma de madeira, redonda, outra de pêlos muito macios, de origem sintética ou animal. O tamanho pequeno, a forma rotunda  "Eacav^ maciez dos pêlos facilitam o acesso dos seus filamentos até às partes dos objectos e do caixão mais difíceis de alcançar, possibilitando uma recolha das partículas mais eficaz.

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As escovas de uso colectivo, destinam-se a ensaboar e a brunir as peças na fase de acabamento da obra. Ensaboar, consiste em tirar a sujidade e a gordura acumuladas nos objectos com a ajuda de uma escova e de um composto formado por água quente, uma pequena quantidade de amoníaco, detergente ou sabão.

A escova é de madeira, com um cabo comprido para o seu manuseamento e pelo macio de animal.

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Para brunir utiliza-se uma escova de latão com cabo também de madeira que se faz passar várias vezes pela peça, até ser obtido o brilho desejado. Brunir, em ourivesaria, é a ação que tem por fim dar um acabamento de brilho às peças de ouro saídas do "banho de corar".

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ESTILHEIRA

A estilheira é um objecto de madeira, em forma de cunha, colocada na banca do ourives entre o tabuleiro e a placa de aço. No caixão dos ourives emprega  o termo caixão para designar toda a mesa do artífice. E um elemento de apoio fundamental ao artífice, servindo de suporte para várias actividades, entre as quais se destaca a de limar. Estão iconograficamente documentadas desde os finais do século XV.

FIEIRA / DAMASQUILHO

As fieiras são pequenas barras rectangulares de ferro ou aço, de tamanhos diversos, com pequenos orifícios graduados dispostos em ordem decrescente. As placas apresentam uma escala em décimas de milímetro e a cada um dos buracos é atribuído o número correspondente ao seu diâmetro.

As fieiras são de uso colectivo e servem para estirar ou puxar fio. Os orifícios podem ter diferentes perfis, consoante o tipo de fio que se pretenda obter, embora os mais utilizados sejam os redondos, quadrados, triangulares de meia cana e ovais.

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No caso específico das peças ocas, usa-se preferencialmente o fio redondo para o fabrico dos sistemas de suspensão das peças, nomeadamente de brincos e pendentes.

Alguns utensílios perfurados, da Idade do Bronze, permitem evocar a hipótese de se tratarem de proto-fieiras. Inicialmente seriam feitas de uma placa de pedra talvez de xisto, e só mais tarde de cobre ou de bronze, contendo furos de diversos calibres onde o ouro era puxado e reduzido a fios.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaA diferença entre fieira e damasquilho, reside no tamanho dos orifícios, maiores para a fieira, mais pequenos para o damasquilho. A distinção é conhecida na Póvoa de Lanhoso onde, em ordem decrescente, pelo tamanho destes orifícios, o fio é passado por duas barras de aço fieira e damasquilho.

FORNO DE FUNDIÇÃO

É nos processos de fundição que se têm registado as maiores transformações. A velha forja, regulada do exterior através de foles, desapareceu. Os ourives mais velhos ainda os recordam, memória documentada por alguns destes objectos que, transformados em relíquias, adornam agora os cantos de algumas oficinas.

São conhecidos fornos activados por foles desde a Proto-História. O tipo de forno mais comum, de forma côncava e circular, era forrado por uma camada de argila. No seu interior era colocado carvão vegetal e os cadinhos com os metais a fundir, cobrindo-se tudo com argila.

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Do seu interior partia, igualmente, uma tubeira que ligava directamente ao fole, colocado no exterior, onde era trabalhado pelo artífice. Foles em pele de bode, existiam na Mesopotâmia por volta de 2500 e no Egipto em meados do segundo milénio.

O engenho, continuado pelos ourives greco-romanos que usavam um sistema de sopro, por meio de foles, para atear o fogo na forja, manteve-se em uso contínuo até ao século XX, pelo menos em Portugal. Provam-no, para os Tempos Medievais e Modernos, a documentação escrita e iconográfica conhecidas.

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A descoberta de novos combustíveis no século XIX, consequência da Segunda Revolução Industrial, inutilizou este sistema velho de séculos; o grande forno foi substituído por outros mais pequenos (em Gondomar conhecidos como vasos de fundição), primeiro a petróleo, depois a gás butano e actualmente a electricidade, fornos eléctricos escolhidos pela rapidez, eficácia e limpeza que proporcionam.

LIMAS E LIMATÕES

As limas são ferramentas de uso individual, com um corpo estreito e oblongo de ferro ou aço e uma haste do mesmo metal. Dependendo do tamanho e do esforço despendido durante a utilização do objecto, algumas limas são revestidas com um cabo de madeira na zona da pega, de forma mais regular e menos agressivo para a mão.

Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

Estes instrumentos servem para desbastar ou polir metais, acção levada a cabo por meio das asperezas ou pequenos picos dispostos em fila e de forma ordenada, ao longo do corpo de intervenção. As limas podem ter várias formas, embora as mais utilizadas em ourivesaria sejam as redondas, quadradas e planas, de meia cana e triangulares. O seu destino e aplicação dependem do tamanho dos picos que podem ser finos, semifinos ou grossos.

De todas as limas existentes numa oficina destaca-se a "lima de solda", de grandes dimensões e picadura muito grossa, usada para desbastar e consequentemente reduzir a pequenas partículas a barra de metal especialmente preparada para a solda.
Os limatões diferem das limas apenas no tamanho.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaSão instrumentos pequenos, de ferro ou aço, com um braço redondo do mesmo metal. Tal como as limas, apresentam perfis variados (redondos, quadrados, triangulares, meia cana) e distintos graus de aspereza. Têm a mesma função das limas, utilizados preferencialmente em peças pequenas e delicadas. São os que se empregam nas peças ocas, especialmente para limar os rebordos após a soldadura.

A presença das limas é evidente nas gravuras quinhentistas e seiscentistas onde aparecem representadas numa grande variedade de tamanhos e formas que se adaptam à função específica de cada uma.

MAÇARICO DE SOPRO

Trata-se de um instrumento de uso individual, de metal, oco e aberto nas duas extremidades. A sua forma, comprida e arredondada, curva-se em "bico de cegonha" na parte inferior, aquela que dirige a chama para a peça. Serve para soldar, recozer e fundir pequenas quantidades de ouro e prata.

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Soprando na parte superior (a mais larga), o artifice coloca o maçarico entre a candeia e a piúca, controlando a direcção e quantidade do fogo sobre a peça trabalhada. Pelo modo como é utilizado, este objecto é também conhecido na Póvoa de Lanhoso por maçarico bocal.

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Os maçaricos de boca eram conhecidos dos egípcios desde o terceiro milénio, informação bem documentada através da pinturas e frequentes igualmente no mundo greco-romano, para o sopro durante os trabalhos delicados da soldadura.

MARTELO / MAÇO DE MADEIRA

Uma das ferramentas mais utilizadas nas oficinas, os martelos servem para bater, aplainar, rebitar e pregar. São constituídos por duas partes, uma de ferro ou aço, vulgarmente conhecida por cabeça e um cabo de madeira para o seu manuseamento.

Os martelos podem ter uma ou duas cabeças, apresentando estas várias dimensões e formas, das quais o artífice tira o devido partido ; de cabeça redonda de um lado e meia esfera no outro, redonda e plana, em forma de cunha, quadrangular ou redonda dos dois lados.

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Tratam-se de utensílios de uso milenar, inicialmente de pedra, cobre e bronze e mais tarde de ferro. O seu emprego está perfeitamente documentado nos tempos históricos, revelado pelas escavações arqueológicas, documentos escritos e iconográficos, nomeadamente esculturas em relevo, pinturas e gravuras, do Período Clássico aos Tempos Modernos.

O martelo utilizado na estampagem das peças ocas, tem duas cabeças iguais, largas e quadrangulares, podendo estas ser usadas indistintamente sem requerer uma atenção especial por parte do artífice.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaCom a mesma função dos martelos, os maços, objectos de madeira com cabeça cilíndrica (Fig. 16), substituem os martelos em chapas e fios mais finos, por serem mais macios e não deixarem marcas. .

MESA (OU BANCA)

A banca ou mesa é um móvel complexo, composta por um conjunto de elementos fundamentais para o trabalho do artífice. A parte superior é formada por um tabuleiro rectangular, coberto por uma prancha de aço, sobre a qual se colocam as peças saídas do fogo. A folga deixada entre a madeira e a superfície de metal, permite prender a estilheira e o pequeno utensílio onde é colocada a solda.

Cada mesa possui normalmente três gavetas ou caixões (em Gondomar o termo caixão designava a totalidade da banca), uma para a ferramenta, outra para os materiais de trabalho e outra forrada de zinco ou ferro, na qual se vão depositando as partículas de tudo o que é limado, serrado ou cortado, a limalha propriamente dita. No caixão da ferramenta encontra-se normalmente uma escova, fundamental para fazer desprender todas as partículas de metal acumuladas na superfície da mesa, estilheira, mãos e conduzir a limalha para um dos cantos da gaveta.

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Na idade Média e Período Moderno, a limalha era recolhida numa espécie de avental de cabedal ou pele, como esclareceu Alexander Neckham e como se observa nas gravuras tantas vezes citadas, do século XVI. Estes eram colocados em cada um dos lugares onde operava um artífice. Um facto que se observa nestas gravuras, é o das bancas não serem individuais mas colectivas, compridas e rectangulares, colocadas junto à janela para facilitar a iluminação.

Nota-se uma evolução fundamental na organização da mesa; ainda colectiva, encontra-se colocada face à janela, apresentando vários recortes em meia-lua (cujas pontas servem de apoio aos cotovelos), destinados a separar os lugares dos vários trabalhadores da oficina. Cada uma dessas partes é munida de uma estilheira, uma pequena gaveta e um avental para a recolha da limalha.

MICRÕMETRO

Instrumento de medição, de uso individual, o micrómetro consiste num pequeno objecto de ferro ou aço, com um corpo giratório munido de uma escala graduada, destinado a medir a espessura dos metais em chapa ou fio. Ë de grande eficácia, tendo uma precisão de vai do milímetro à centésima de milímetro.

Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

Durante o processo da laminação, para a obtenção da chapa destinada ao fabrico das peças ocas, o micrómetro é constantemente utilizado, servindo para regular a espessura da barra à medida que esta vai sendo passada nos cilindros.

PEDRA DE ESMERIL

A pedra de esmeril é um bloco de corindon, talhado de forma rectangular. Trata-se de um mineral escuro e granular e que, devido à sua grande dureza e abrasividade, é usado no desbaste e polimento de pedras preciosa e metais. E usada para limar e polir superfícies, daí ser conhecida, pelo menos na oficina estudada, por "pedra de polir".

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E um instrumento bastante utilizado no fabrico das peças ocas, nomeadamente na preparação de cada uma das faces que compõem a jóia, antes da soldadura. A forma oblonga da pedra, permite o apoio das peças sobre essa superfície; através de movimentos regulares e contínuos, o artífice faz alisar os bordos das duas metades, intercalando esta operação com o emprego de uma lima.

PIÚCA

A piúca consiste num utensílio de uso individual do qual fazem parte os seguintes elementos: uma base de madeira ou arame retorcido, a servir de pega e uma chapa fina e plana, sobre esta, que sustenta um emaranhado de arame redondo, muito fino, em forma de cabeleira - daí o seu nome. De acordo certamente com o seu aspecto, este objecto é designado em Travassos por "aranhola", só assim chamada nesta freguesia.

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Serve de suporte às operações de soldadura, de recozido e, no caso concreto das peças opadas, à vitrificação do esmalte aplicado sobre elas.

PINCEL DE SOLDADURA

Trata-se de uma pequena peça de metal, plana, larga numa das extremidades e muito fina na outra, utilizando-se esta última para a aplicação da solda ou do esmalte nos pontos desejados. 

RILHEIRA

Utensílio de ferro ou aço, de forma rectangular, destinado à obtenção de uma barra de metal maciça. A rilheira contém no seu interior diferentes aberturas, nas quais se verte a liga fundida. Os orifícios são mais ou menos largos, conforme se prestem a moldar barras para a obtenção de chapa ou fio.

Os moldes para dar a forma de uma barra ao metal fundido, eram já utilizados pelos metalúrgicos proto-históricos, podendo ser de pedra, argila e, mais tarde, de bronze. 

SERRA DE MÃO

A serra de mão é formada por quatro elementos essenciais, indispensáveis ao seu manejamento: uma pega de madeira, cilíndrica; um braço quadrangular de metal destinado à montagem; a serra propriamente dita, actualmente de aço temperado, podendo apresentar diferentes calibres e os tourets ou roscas, em forma de borboleta, que servem para prender o fio da serra. Os mesmos nomes continuam a ser utilizados na actualidade. A serra de mão, inclui-se nos utensílios de uso colectivo.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaTrata-se de uma ferramenta fundamental no fabrico de peças ocas, constantemente empregue no processo de eliminação dos rebordos da chapa de metal, depois de estampadas as duas metades da jóia.

TENAZ

As tenazes são ferramentas de ferro ou aço, de tamanhos diversos e que servem para uma gama de operações bastante variada. Podem ser de uso colectivo ou individual consoante a função especifica a que se destinam. No primeiro caso incluem-se as tenazes de fundição, de corpo estreito e alongado, usadas para retirar os cadinhos da forja ou prender um objecto ou barra de metal que vai a revenir e as tenazes de estirar, menos compridas mas mais largas e robustas.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaEstas são presas num banco de estirar e servem para puxar o fio de metal. Possuem estrias no interior da boca de modo a impedir a movimentação dos fios ou chapas durante a operação e o braço superior é curvo para evitar que a mão do artífice escorregue quando estiver a estirar.

As tenazes de uso individual são mais pequenas, servindo para dobrar, voltar, sujeitar e recortar fio ou chapa. São normalmente de aço e têm uma pega em meia cana para maior comodidade de quem a emprega. Tal como os alicates, apresentam vários tipos e confundem-se por vezes com eles; podem ser de ponta plana ou chata, mais ou menos fina, usadas, entre outras funções, para segurar as peças que vão a limar ou redonda, com forma cónica, servindo para dobrar fio e dar-lhe essa configuração.

Instrumentos utilizados numa oficina de OurivesariaPodem igualmente ser utilizadas, junto com os alicates redondos, para produzir os sistemas de suspensão de brincos e pendentes no caso particular das peças opadas.

TESOURA

Encontram-se dois tipos de tesouras numa oficina; as usadas para cortar chapa, soldadura e fios, entre outros, e as que servem para recortar chapa, de pontas mais estreitas e finas. Os dois tipos são de de aço e as primeiras, de uso colectivo, são normalmente maiores do que as segundas, de uso individual.

Instrumentos utilizados numa oficina de Ourivesaria

Fonte: SOUSA, Ana-Uma Técnica Milenar numa Oficina de Gondomar, in Ourivesaria Estampada e Lavrada. vol.I,Porto,1997, pp. 31-51.

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